segunda-feira, 4 de setembro de 2017

MÉDICOS, ENFERMEIROS, SAÚDE, LOBBIES, PRIVADO... E CADA VEZ MENOS PÚBLICO



É claro que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) é para abater. Os últimos ministros da Saúde e das Finanças, de qualquer que seja o Partido, têm amaldiçoado António Arnauth - o "pai" do SNS - até à sétima geração, por este, no princípio dos anos 80, ter tido a veleidade de tentar democratizar a saúde.

Com o envelhecimento acelerado da população, os lobbies da saúde (até mais que governos ou ministros) consideram um desperdício não estarem já a sugar a medula às pessoas. Mas a pouco e pouco lá vão conquistando terreno, deixando para trás aqueles que não têm qualquer interesse pois nunca farão seguros de saúde e se morrerem é um favor que fazem ao Estado. 

Os médicos (outrora uma classe profissional intocável) e os enfermeiros estão na corda bamba das indecisões pois muitos deles estão (ou sonham vir a estar) com um pé no público e outro pé no privado, ou se possível os dois pés no privado... 

O Estado vai conservar médicos de família, que não irão além de receitarem ben-hurons, e algumas urgências de hospitais, onde as pessoas irão cada vez menos porque morrem mais depressa nas urgências do que se não forem socorridas... 

O resto será tudo entregue a grandes grupos privados, para onde irão como (maus) gestores boys dos partidos e das maçonarias do século XXI...

(jag)

sábado, 1 de julho de 2017

PORTUGAL, UM PAÍS NA MODA COM PASSERELLES DE BARRO

Portugal está na moda, como se diz por aí e como parece ser verdade. Nem os anos de humilhante crise aos olhos do exterior, prejudicaram Portugal. Pelo contrário: até parece que funcionou como uma curiosidade, até porque ao mesmo tempo, os portugueses (ou alguns portugueses) iam dando nas vistas. No topo desses portugueses vem Cristiano Ronaldo, claro!

Portugal é um país, ou tem um Povo, curioso. Tão depressa se está nos píncaros como se entra em depressão. Tão depressa se diz bem e se "constrói" como logo a seguir se diz mal e se "destrói". É mesmo assim, os portugueses são assim, não vale a pena inventar nem desejar que sejam de outra maneira. Hão-de passar gerações...

Mas - e a História tem sido fértil nessas coisas - quem está na moda, não pode descansar à sombra, neste caso do chaparro. Há que alimentar essa moda e não ficar dependente da designada sorte. E é essa "sorte" que parece ter metido férias, abandonando os portugueses à sua... sorte!

A tragédia recente dos incêndios não pode acontecer em Portugal. Dirão que nos países "civilizados" também acontecem tragédias. É certo que sim, basta ver o que uns dias antes tinha acontecido num prédio em Londres. Mas em Portugal não pode acontecer, ponto! Este é um país pequeno, não deve ser assim tão difícil de governar e de gerir...

E, ainda não refeitos da tragédia dos incêndios, surge a notícia do roubo (descarado) de armamento, o que interna mas mais ainda externamente deixa Portugal numa posição caricata! É a passerelle de barro a desfazer-se... vamos ver se os "artistas da retórica" ainda vão a tempo de moldar alguma coisa...

(jag)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

11 ANOS DE BLOGUES







Na noite de 16 de Fevereiro de 2006 estava de serviço ao fecho no Expresso e recebi um e-mail da psicóloga Teresa Paula Marques (que eu não conhecia pessoalmente ainda) a enviar-me o link de um blog que ela criou num alojamento de blogues brasileiro (zip.net, acho eu). Não foi tarde, nem foi cedo, decidi criar nessa noite o meu primeiro blog: 'Abralas'. O site era muito limitado, tentei fazer umas maningâncias e perdi o acesso. Criei então o 'Vislumbrando' no mesmo alojamento: dava para postar textos não formatados e fotos pequenas.

Só no fim do Verão desse ano entrei finalmente no blogspot: criei o 'Fundamentalidades', e em Novembro já era um sucesso, em especial no meu aniversário quando recebi umas centenas de comentários. Entretanto, nessa mesma altura conheci pessoalmente alguns bloggers. Em Janeiro, com o post de aniversário da minha mãe, penso que bati todos os recordes até hoje de comentários num dos meus blogues. Além deste tinha mais três, um deles uma parceria com a Marta Vinhais, que eu nem conhecia pessoalmente na altura.

No fim de Fevereiro de 2007, um qualquer bug tirou-me o acesso ao blog. Entrei em pânico e criei nesse dia o 'Fundamentalidades2', que me daria ao fim de uns meses uma média de 500 visitas diárias. Conheci mais pessoas dos blogues, participei em encontros, almoços e jantares. A esse blog tinha associados mais quatro blogues, de textos e fotografias.

Em Novembro de 2008 alguém se lembrou - depois descobri quem foi! - de me sabotar o blog. Afastei-me dessas andanças durante cerca de um mês, e então ideia luminosa: criei 'O Meu Sofá Amarelo', onde ainda me sento hoje, embora - raios partam o Facebook - agora passam-se dias e semanas em que não usufruo do conforto d' O Meu Sofá Amarelo', que na realidade não era meu, mas de uma amiga minha. Fazendo as contas ao deve e haver já tive uns 20 blogues das mais variadas temáticas, um até... bem... não se pode dizer que as criancinhas ainda estão acordadas. Quanto ao que está em vigor eizi-u:

http://omeusofaamarelo.blogspot.pt
(blog de apoio: http://gestualidades.blogspot.pt)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A HISTÓRIA DO MELÃO, DO PAQUETE E DA SUSANA QUE PINTA


Susana Pinta pintava. Quer dizer, pinta. É pintora de quadros. Em especial de naturezas mortas, com grande apetência para frutas e legumes. Já fez, aliás, várias exposições, e até ganhou um prémio com a pintura de um quadro pincelado com nabos e a respectiva rama. O concurso realizou-se na sua terra, mas por azar a Junta de Freguesia da aldeia foi assaltada no dia anterior à entrega dos prémios, e Susana Pinta acabou por ficar sem o galardão, substituído à última da hora por um cabaz de frutas e legumes, cedido por agricultores locais, para compensar a vencedora.
Susana Pinta iria participar noutro concurso. Desta vez com a pintura de um melão. Procurou durante vários dias o melão com melhor aspecto em todo o lado. Encontrou-o e reproduziu-o esmeradamente numa pintura muito autêntica. De tal maneira que, quem olhasse para o quadro, parecia só faltar o cheiro e o toque do melão. O concurso iria realizar-se numa galeria no Bairro Alto, em Lisboa. Mas Susana conhecia mal as ruas da capital. Por isso, enganou-se no caminho e e em vez de chegar ao Bairro Alto pelo lado do Chiado viu-se ao fundo da mais que íngreme Calçada do Combro, no lado oposto.
Mas não era uma subida íngreme em escorregadia calçada portuguesa que a faria afastar-se da candidatura a um novo prémio de pintura. Embora, desta vez, não estivesse muito confiante... Susana até confidenciou ao namorado, que a fora ajudar a carregar o quadro emoldurado, que estava com um pressentimento que "iria apanhar um grande melão" no concurso. Ao que o namorado respondia para ela ficar tranquila, que o seu 'Sexto Sentido' nem sempre funcionava, e que com o seu currículo era impossível "apanhar um melão".

Manuel Paquete era estafeta. Tarefeiro. Paquete, pronto! Trabalhava numa empresa no Largo do Chiado mas andava quase sempre na rua. Nesse dia já passara várias vezes em frente a uma mercearia que ficava mesmo no cimo da Calçada do Combro. Nos caixotes de fruta, havia um melão que reluzia à luz de Lisboa. Embora tivesse um ordenado muito baixo, o 'Sexto Sentido' de Manuel Paquete dizia-lhe que aquele melão ainda seria dele. Tanto pensou que decidiu agir. E quando saiu do trabalho ao final da tarde, foi até à mercearia, e suspirou de alívio: "Felizmente, não o venderam!", articulou para os seus fechos-éclairs, só pensando no momento em que iria chegar a casa, pegar na grande faca que a avó lhe deixara em herança, e dar um golpe de alto a baixo ao longo daquela casca branco pérola... Apalpado o melão, e confirmada a sua aprovação, Manuel Paquete envolveu o fruto enorme com todo o carinho e com algum esforço levou-o junto da caixa. "Quer saco? São 10 cêntimos!". Ele mal pensou e respondeu de imediato que não. Levaria o melão na mão, por vários motivos: poupava o dinheiro do saco, e mostraria aos colegas e superiores que passavam por ali àquela hora que não era assim tão zé-ninguém, e que também sabia escolher e comprar um bom melão.
Saiu da mercearia com o grande melão nas mãos. Estava uma tarde de calor. As pedras da Calçada do Combro reluziam ainda mais que a casca do melão. A Calçada à Portuguesa era linda, pensou Manuel Paquete, mas mais lindo era o melão que ele acabara de comprar. E melhor ainda seria o momento em que iria degustá-lo. O seu 'Sexto Sentido' tinha funcionado, e ele levava ali algo que tanto desejara ter.
Por ser Verão e o Sol começar a descer lentamente no horizonte, as pedras da Calçada do Combro estavam plenamente iluminadas. De tal maneira que olhar para o chão era quase o mesmo que olhar para o Sol: ficava-se encandeado. E caminhar encandeado numa calçada íngreme como aquela não era o mais seguro. Mas o tarefeiro fazia da Calçada do Combro o seu caminho de todos os dias e até falava com as pedras, quase conhecendo-as uma a uma, sabendo onde estava uma mais saliente ou outra mais inclinada. Mas quando se carrega um objecto redondo sem pegas e com um peso apreciável, até os locais conhecidos podem pregar partidas: e foi então que Manuel Paquete tropeçou numa pedra onde um pedaço de calcário se lembrara de se lascar sem avisar, e a sola gasta do sapato comprado na loja dos chineses não foi capaz de manter o contacto permanente com o chão, deslizando alguns centímetros em parceria com outras pedras de calcário. 
Na mão direita, amparado pela mão esquerda, o melão premiado por ele próprio oscilou, rodopiou, voltou a roçar os dedos e as linhas da palma da mão, levitou como coxas de galinha numa concentração vudu, e finalmente abraçou a teoria de Newton, entrando em contacto com as pedras quentes e reluzentes, alinhadas lado a lado. Mais rápido do que meio pestanejar, Manuel Paquete pensou que já não valeria a pena usar a faca que a avó lhe deixou como herança porque o melão iria abrir pelo lado mais fraco, poupando-lhe trabalho… Mas, qual quê? Roliço, o melão, qual bola de râguebi, bateu e – sabem como fazem aquelas pedrinhas que se mandam na praia e que vão saltitando na água? - pois, o melão começou a saltitar e, qual carrinho de rolamentos descendo uma avenida, foi tomando balanço, fintando carros e gentes, de uma maneira de fazer inveja a Cristiano Ronaldo.

A começar a decalcar a Calçada do Combro vinha Susana Pinta, a iniciar a subida com o quadro emoldurado da natureza morta com que ela esperava ganhar um prémio. Resmungando com o 'Sexto Sentido' de que algo iria correr mal, Susana levantou os olhos para a Calçada que não conhecia o termo horizontal, quando viu a algumas dezenas de metros um objecto que já fora perfeitamente arredondado, mas agora qual pneu branco desgovernado e deixando vestígios pelo percurso... Sabem aqueles momentos em que vamos numa rua na direcção de outra pessoa e que tanto nós como a outra pessoa querem dar passagem mas acabam por se enfeixar uma na outra, não sem antes fazerem intenção de virar para um dos lados, depois para o outro? Pois, Susana Pinta e o melão desgovernado fizeram esse jogo por brevíssimos pestanejares, mas nenhum deles se conseguiu desviar a tempo: o melão – ou o que restava das talhadas que não chegaram a ver a faca que a avó de Manuel Paquete lhe tinha deixado como herança – escarrapachou-se na cara de Susana, não sem antes ter atingido e atravessado o seu "primo" pintado. Susana caiu para trás e a moldura enfiou-se na sua cabeça, como se costuma ver nos desenhos animados. O namorado de Susana ficou em pânico, mas a pintora não se magoara. E quando lhe perguntaram como se sentia, ela simplesmente respondeu que o melão, que se escarrapachara na sua cara, tinha um sabor misto a óleo e doce... e que viesse o presunto!




   

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Jornalismo dos jornalistas ou jornalismo das elites? Eis (uma das) questões...














Marcelo Rebelo de Sousa fez discurso duro na abertura do 4º Congresso dos Jornalistas, hoje, em Lisboa, depois de 19 anos sem congressos. A minha opinião dentro em breve aqui, no Facebook e na revista O Instalador.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017